segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Um filme para amantes

O expectador tem que ser um nostálgico amante dos Fab four, e ter vivido intensamente a época de maior efervecência cultural que foram os anos 60, para cair completamente apaixonado por "Across the Universe".
Inspirado totalmente por canções dos Beatles, com personagens cujos nomes incluem Lucy, Jude, Prudence e Jo-Jo, o musical da renomada diretora da Broadway Julie Taymor é visualmente ousado, como seria de esperar da diretora do filme Frida, a cine biografia da artista Frida Khalo e da montagem de O Rei Leão na Broadway.
Os atores, todos emprestam suas vozes para as clássicas canções que delineiam o roteiro, estão a altura do desafio, incluindo Evan Rachel Wood que ficou conhecida como a adolescente drogada de Aos treze. E, especialmente, o carismático iniciante Jim Sturgess, que lembra o jovem Paul Mcartney.
Embora muitas das interpretações deixam a desejar como "I Want To Hold Your Hand", a líder de torcida em câmera lenta com jogadores de futebol jogando-se de um lado para o outro a sua volta. Outras performances merecem aplausos como a de Jude em "Strawberry Fields" e Max em “A Little Help for My Friends”
É uma experiência intrigante, ele pede do expectador um conhecimento prévio sobre a época, com cenas clássicas inspiradas no musical Hair e Easy Rider. Algumas imagens se mostram de primorosa fotografia como a dos soldados americanos carregando a estátua da liberdade ao som de “She’s so Heavy”.
Mas a produção se desgasta, após cerca de uma hora, com um bombardeio de clichês dos anos 60 ( os protestos contra a Guerra do Vietnã, o consumo de drogas alucinógenas e viagens sem destino, etc), vinculado com músicas.
Uma das presenças marcantes no filme é a do músico Bono Vox em seu primeiro papel em filme, ele é um líder egoísta contracultura que é apresentado cantando a música "I Am a Walrus". A atriz de Frida Salma Hayek faz uma enfermeira em “Hapiness is a Warm Gun” e o lendário Joe Cockerem três papéis um homem sem teto, um cafetão e um hippie que ajuda a introduzir o personagem de Jo-Jo cantando "Come Together".
Embora não convencional a diretora ajuda a criar imagens memoráveis e que podem se encaixar nos dias de hoje. O exemplo mais gritante pode ser encontrada na encenação de "I Want You / She 's so Heavy", a sequência começa com o personagem Max convocado pelo exército e comparecendo para os examens médicos. Onde um Tio Sam do cartaz de recrutamento entona “I Want You”. Inicia-se uma linha de produção bem ao estilo Ford que lembram fortemente uma das mais famosas sequênciasdo filme The Wall, seguido de uma cena em que Max e outros novos recrutas caminham sobre um campo de arroz Vietnamita em miniatura. Podemos ver que ele e os outros estão a carregar alguma coisa sobre as suas costas, enquanto eles cantam, "She’s so Heavy”, dái vejos que o objeto é a Estátua da Liberdade.
"Across the Universe" começa com várias histórias paralelas, como Lucy dançando em um baile de formatura em Boston com seu namorado, que está prestes a entrar no exército. Jude e sua namorada, na cidade de Liverpool, dançando em um pub inglês bem ao estilo da Cavern Club, lugar em que o Beatles tocavam. Ele se prepara para viajar para os Estados Unidos e procurar um pai que nunca soube de sua existência. Este trabalha na manutenção da Universidade de Princeton. Onde Jude conhece Max e começa sua jornada para Nova York, a cidade repleta de cultura, drogas e diversão. Lucy irmã de Max também irá encontrá-los em Nova York . Entre seus novos amigos são Sadie (Dana Fuchs), um clone da cantora Janis Joplin, Jo-Jo (Martin Luther McCoy), em estilo Jimmy Hendrix cantor e guitarrista, e a ex-líder de torcida Prudence (TV Carpio).
Não vá ao cinema se quiser ver algo novo sobre a década de 60, vá com o prazer de escutar canções dos Beatles em um filme bem construído, apesar dos clichês. É também um filme para aficionados por uma época em que os jovens lutavam para fazer a diferença.

segunda-feira, 10 de março de 2008

UMA NOVA FORMA DE ARTE

A tatuagem tem seu primeiro marco na história em um homem congelado, Otzi assim chamado pelos arqueólogos, descoberto nos Alpes italianos em 1991, deve ter vivido por volta do ano de 3300 a.C. Ele tinha 57 tatuagens, algumas das quais eram localizadas em pontos que coincidem com os atuais pontos de acupuntura acha-seque foram feitas para tratar os sintomas de doenças de que Otzi parece ter sofrido, como parasitas digestivos e artrose.
Em 1769 o navegador James Cook descobriu as tribos haitianas que desenhavam no corpo, batendo uma madeira em um dente de ossos e colocando tinta negra por cima. O barulho fazia um ta-tá constante daí sai o nome tattoo.
Para cada povo os desenhos marcados na pele tem um sentido diferente, os tribos de índios brasileiros os cadiuéus, desenhavam uma onça nos meninos para que eles adquirissem coragem.

A tatuagem, como conhecemos hoje, chega ao Brasil por volta de 1959 com um cidadão dinamarquês chamado Knud Harald Lucky Gegersen, mais conhecido como Lucky. Ele instalou-se no porto de Santos lugar de boemia e prostituição. Isto contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade. A localização da loja era zona de intensa circulação de imigrantes embarcados, muitas vezes bêbados, arruaceiros e envolvidos com drogas e prostitutas, gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas

Os tempos mudaram e o preconceito diminuiu, hoje nas areias da praia é algo comum de ser visto. "Não há mais tanta discriminação, as pessoas deixaram de se reprimir" analisa o tatuador Leonardo Branco. Apesar da explosão de borboletas e estrelinhas a tatuagem se tornou uma nova forma de arte, uma arte feita em uma tela viva. "Uma tatuagem pode ser uma obra de arte contemporânea" comenta o tatuador.

As tatuagens representam, para a maioria formas de representar épocas ou passagens da vida. "Sabe aquela música que marcou muito uma época, e que toda vez que você ouve de novo lembra do que estava acontecendo? As minhas tatuagens são assim." afirma o músico Pedro Lima, que resolveu largar a faculdade de publicidade e se dedicar a música e tatuou recentemente uma clave de fá no pulso esquerdo.
O fato de ter uma tatuagem deve ser muito bem pensado, "escolher uma tatuagem é coisa séria, tem de pensar se ela irá combinar com o estilo da pessoa durante toda a vida" afirma o tatuador Pastor. Então não vale só fazer na curtição ou por causa do modismo pois tudo isso passa.

A dermatologista Rosana Chagas, do Real Hospital Português, lembra que existem pessoas que podem ter alergia ao produto usado, e no fim causar uma lesão, deve se fazer o teste antes de tatuar pela primeira vez. Existe a possibilidade de remoção caso algo aconteça ou o arrependimento bata, a melhor forma de retirar ainda é o laser, " a cor e a textura da pele muda, e sempre sobram alguns pigmentos. A pele nunca volta ao normal" diz a médica. Dependendo do tamanho é preciso até 18 sessões de laser, com o intervalo de um mês entre cada uma, e o custo de R$ 400 a R$800 cada.

Então para quem decide fazer uma tatuagem os cuidados após são muito importantes. "É como um pequeno pós-operatório" comenta o tatuado José Accioly que seguiu a risca todos os procedimentos, deve-se fazer um curativo com pomada cicatrizante e filme plástico por três dias, lavar o local com um sabonete anti-bacteriano nos primeiros 15 dias. Depois, muito protetor solar pois a radiação ultravioleta penetra na derme e provoca uma pequena inflamação o que resulta na reabsorção dos pigmentos, ou seja a tatuagem acaba com um desbotamento.

Se depois de tudo isso você pretende fazer uma tatuagem é importante seguir três passos: 1. Visite o estúdio antes e cheque se os instrumentos usados e o lugar são esterilizados; 2. Siga a regra básica de não agir por impulso, pense um bom tempo no que quer fazer e o local; 3. Prefira desenhos personalizados pois as modas passam.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Leões e Cordeiros- Muito bom!

O filme têm um elenco bastante conhecido dos cinéfilos de carteirinha, com Meryl Streep, Robert Redford e Tom Cruise. No enredo um senador tenta convencer jornalista a divulgar nova estratégia para guerra dos EUA no Oriente Médio. Enquanto isso, nas batalhas, jovens soldados tentam lembrar o que os fez se alistarem no Exército.
O filme mostra três óticas diferentes para o mesmo problema, a inacabável retaliação dos EUA aos ataques de 11 de setembro. Nas palavras de um professor a coragem para demonstrar que todos têm a sua chance de fazer algo. Vale a pena conferir a atuação dos atores consagrados e dos novos atores em uma diferente ótica sobre a "guerra contra o terror". O longa tem a direção de Robert Redford.

domingo, 30 de setembro de 2007

Este texto foi é meu e foi publicado na Revista Noivas Nordeste de agosto.

O sentido das alianças.

As alianças são usadas desde o começo da civilização não podemos precisar a época exata em que surgiram. Na Bíblia não existe nenhuma menção ao termo anel, mas no Gênesis é mencionada a palavra aliança para definir uma união.
O termo aliança, bérith em hebraico, possui o sentido de compromisso. O anel usado pelos casados tem a função da ambivalência de unir e, ao mesmo tempo, isolar. O anel se torna um protetor simbólico da união, colocar um anel no dedo de outra pessoa, significa aceitar a outra pessoa como um tesouro exclusivo.
A palavra aliança surgiu por volta do Século XV, provavelmente na Provance, na França, época em que nasceu o amor romântico. Com o significado de fusão, representou, a princípio, um anel simbólico de noivado ou de casamento. No século XV, nasceu a crença de que, no anular da mão esquerda, passa uma veia que vai diretamente ao coração, e que a forma circular do anel, sem começo nem fim, seria um prenúncio da continuidade do amor, lealdade e devoção ao longo da vida do casal. Alguns casais mandam gravar as iniciais do casal e a data do casamento.
Nos dias de hoje, existe uma imensa gama de tipos de alianças: finas, largas, modernas, tradicionais, entre outras. Mas o que importa em todas elas é que todas têm o mesmo significado
O designer de jóia Edmilson Menezes, quando questionado sobre o sentimento de produzir uma aliança, cita o poeta Fernando Pessoa quando este refere-se à cumplicidade de um relacionamento: “ ‘... Então eu te olharei com os teus olhos e tu me olharás com os meus.’ Isso me tocou profundamente quando ouvi, e a minha satisfação ao fazer alianças é sentir que consegui passar para elas este sentimento”.
Mais importante do que a forma ou o material de que a aliança for feita, é saber o verdadeiro significado de uma aliança, Antoine de Saint Exupéry nos mostra em seu livro mais famoso “O Pequeno Príncipe” o valor deste sentimento:

"- Vamos ser amigos? Pergunta o príncipe à raposa.
- Eu não posso, não me cativaste ainda!
- Que é cativar?
- É uma coisa muito esquecida pelos homens... Significa criar laços... Tu não és para mim senão um garoto igual a cem mil outros. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens de mim. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Seremos um para o outro únicos no mundo...
- Não tenho muito tempo...
- A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!!
E então ele a cativou...
E voltou à raposa: - Eu preciso ir... Adeus!
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste comigo que me fez tão importante para ti. Os homens esqueceram essa verdade... “Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas.”
O ato de dar uma aliança a alguém é muito mais do que uma formalidade, é o selo de um compromisso infinito.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Desmantelo Azul - Carlos Pena Filho

Então pintei de azul os meus sapatos
Por não poder de azul pintar as ruas
Depois vesti meus gestos insensatos
E colori as minhas mãos e as tuas

Para extinguir de nós o azul ausente
E aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
Azul sobre os vestidos e as gravatas

E afogados em nós nem nos lembramos
Que no excesso que havia em nosso espaço
Pudesse haver de azul também cansaço

E perdidos no azul nos contemplamos
E vimos que entre nascia um sul
Vertiginosamente azul: azul.